O Encontro Que a Saudade Marcou
Aos finais de semana,
parece que sempre tenho um encontro marcado com a saudade.
E dessa vez eu me preparei para ela.
Fiz a barba, arrumei o cabelo,
escolhi cuidadosamente quem eu seria naquela noite,
como se, em algum lugar do caminho,
você ainda pudesse aparecer.
Mas não apareceu.
E então percebi que estava ali,
mais uma vez,
sentado diante da ausência de alguém
que já não está comigo
e que talvez nem se lembre mais
de quem eu sou.
É estranho se arrumar
para um encontro que nunca acontece.
Mais estranho ainda é perceber
que, mesmo sabendo que você não virá,
alguma parte de mim continua esperando.
Porque basta o silêncio chegar
para que meus olhos se encham de lembranças.
E então eu vejo aqueles cabelos cor de ouro,
tão bonitos que pareciam guardar a luz do sol.
Vejo aqueles olhos
que às vezes se tornavam esverdeados,
os mesmos olhos pelos quais,
sem perceber,
eu me apaixonei.
Mas é o teu sorriso...
Ah, o teu sorriso.
Talvez seja ele que mais ficou.
Um sorriso perfeito,
capaz de iluminar qualquer lugar,
e que, mesmo depois de tanto tempo,
ainda consegue iluminar a minha mente
quando tudo ao meu redor parece escuro.
Você não está aqui.
Talvez nem pense mais em mim.
Talvez meu nome tenha se tornado apenas
uma lembrança distante em algum lugar da sua vida.
Mas, nos finais de semana,
quando a saudade marca nosso encontro,
eu ainda me arrumo.
Arrumo a barba.
Arrumo o cabelo.
E, principalmente,
tento arrumar esse coração
que insiste em se vestir de esperança.
Porque, no fundo,
a saudade sempre sabe exatamente
como me encontrar.
E talvez seja por isso
que eu continuo indo ao encontro dela.
Na esperança silenciosa
de que, algum dia,
em vez da saudade...
seja você.
Comentários
Postar um comentário