Quando a Lua Sorriu ao Ouvir o Seu Nome

Querida Laura Beatriz,
Você me pediu para escrever algo memorável. Passei horas diante de uma página em branco, tentando encontrar palavras que fossem grandes o suficiente para traduzir tudo o que ficou. Mas como escrever algo inesquecível quando o que existe dentro de mim é apenas um coração que ainda aprende a conviver com a saudade?

Cinco meses. Parece pouco para o calendário, mas uma eternidade para quem aprendeu a medir o tempo pela ausência de alguém. Cada dia que passa me faz enxergar com mais clareza a imensidão da mulher que você foi na minha vida. Hoje entendo que o amor também mora nos detalhes que só percebemos quando eles deixam de existir. Você me acolheu nos meus dias mais difíceis, suportou meus defeitos, enfrentou minhas inseguranças e permaneceu ao meu lado quando eu mesmo não sabia como permanecer.
Se existe algo do qual não consigo fugir, é desta verdade silenciosa: eu ainda amo você.

A dor me transformou. Cresci, amadureci e me tornei alguém diferente. Não porque o tempo cura tudo, mas porque ele ensina a carregar as cicatrizes sem deixar que elas impeçam os passos. Ainda assim, por mais que eu mude, existe uma parte de mim que continua exatamente onde você a deixou.
Hoje passei em frente à sua casa. E, por um breve instante, o universo foi cruel e gentil ao mesmo tempo. Meus olhos juraram que você estava na sacada. Tão linda quanto a última lembrança que guardei, iluminada como se o próprio céu tivesse parado para admirar você. Meu coração acreditou antes que a razão pudesse dizer que era apenas mais uma ilusão criada pela saudade. Talvez a saudade também tenha olhos... e enxergue aquilo que o mundo já não pode ver.

Há tantas coisas que eu gostaria de lhe contar. Histórias, mudanças, pequenas vitórias, medos que enfrentei e sonhos que ainda carrego. Você continua sendo a primeira pessoa em quem penso quando algo acontece, mesmo sabendo que essas palavras talvez nunca encontrem o caminho até você.
E então levantei os olhos para o céu.

A lua estava absurdamente linda. Tão serena, tão brilhante, como se conhecesse todos os segredos do meu coração. Falei baixinho o seu nome, apenas para o vento, e naquele instante tive a estranha e doce impressão de que ela sorriu. Talvez porque existam amores que nem o tempo consegue apagar. Talvez porque algumas pessoas se tornem eternas sem precisar permanecer.

Se um dia você olhar para essa mesma lua, saiba que haverá alguém, em algum lugar, olhando para ela também. Alguém que ainda agradece por tudo o que vocês viveram. Alguém que aprendeu que o amor verdadeiro não desaparece quando termina; ele apenas muda de forma e passa a morar nas lembranças, no silêncio, nas noites longas... e no brilho da lua, que insiste em sorrir toda vez que escuta o seu nome.

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