Nem Sempre Casa Significa Lar
Hoje me deparei com os pensamentos mais profundos que tenho guardado.
E, pela primeira vez, senti que talvez esta cidade já não seja mais para mim.
Tenho medo de dar de cara com você em qualquer esquina,
de passar por algum lugar e sentir tudo novamente,
de transformar cada rua em uma lembrança nossa.
Aqui, até as quartas-feiras têm outro peso.
Não existe mais o Veigar na porta esperando por você,
não existe mais aquela sensação de que, de alguma forma,
você ainda fazia parte da minha rotina.
A vida continuou, eu sei.
Mas, para mim, algumas coisas ficaram paradas no tempo.
Talvez eu precise ir embora.
Não para esquecer você,
mas para me libertar de tudo aquilo que ainda me prende.
Preciso de distância dos lugares, das lembranças,
dos pequenos detalhes que insistem em trazer você de volta.
E talvez o mais difícil seja aceitar
que preciso desistir de um sonho que um dia foi tão real dentro de mim.
Eu sonhava em te levar para a Itália.
Imaginava nós dois caminhando pelas ruas,
e eu, no meio de um monte de italianos cantando
“Sarà perché ti amo”,
me ajoelhando diante de você
para finalmente fazer a pergunta que ensaiei tantas vezes:
“Quer casar comigo?”
Era esse o futuro que eu enxergava.
Hoje, talvez eu precise aceitar que aquele futuro não existe mais.
Mas existe algo que ainda permanece:
o amor que senti,
as lembranças que carrego
e a certeza de que, por algum tempo,
você foi o lugar mais bonito onde meu coração conseguiu morar.
Talvez partir seja necessário.
E se um dia eu for embora desta cidade,
não será porque deixei de amar você.
Será porque, finalmente,
preciso aprender a viver sem procurar você
em cada pedaço dela.
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