“Eu não mudei. Eu me libertei.”
Quem diria que o cara que, por tanto tempo, tentava aproveitar cada segundo livre para jogar, hoje encontraria paz justamente nas coisas que antes pareciam distantes? Quem diria que aquele mesmo cara passaria horas escrevendo textos que talvez ninguém leia, mergulhando em livros, estudando, saindo para fazer exercícios e, principalmente, caminhando sem fones de ouvido, apenas ouvindo os próprios pensamentos?
É estranho perceber como algumas mudanças chegam rápido demais. Coisas que antes faziam parte da rotina hoje se tornaram acontecimentos raros. Hábitos que pareciam indispensáveis perderam espaço, enquanto outros, que antes sequer chamavam minha atenção, passaram a ocupar um lugar importante na minha vida. Talvez eu simplesmente tenha aprendido que nem todo tempo precisa ser preenchido com barulho.
E talvez a maior mudança não esteja naquilo que faço, mas na pessoa que me tornei.
O cara que carregava a fama de estressado, que facilmente entrava em discussões e que parecia sempre estar pronto para uma briga, hoje é justamente aquele que tenta acalmar os ânimos. A pessoa que antes reagia, hoje respira. A pessoa que antes se irritava, hoje observa. Aquele que não sabia deixar certas coisas para lá, agora entende que algumas batalhas simplesmente não merecem ser travadas.
Não sei exatamente quando tudo isso aconteceu.
Talvez tenha sido consequência das experiências vividas, das perdas, dos erros, das decepções e de todas as coisas que a vida silenciosamente ensina. Talvez algumas dores tenham me obrigado a olhar para dentro e perceber que continuar sendo a mesma pessoa já não fazia sentido.
Mas, sinceramente, acredito que essas mudanças não aconteceram somente por causa das experiências.
Existe algo maior.
Uma espécie de libertação da mente e do espírito. Uma sensação difícil de explicar, impossível de colocar completamente em palavras. É como se, em algum momento, eu tivesse parado de lutar contra mim mesmo e simplesmente permitido que as coisas mudassem.
Não sei explicar o que aconteceu.
Só sei que aconteceu.
E, pela primeira vez, não sinto necessidade de entender tudo. Algumas transformações não precisam de explicação. Precisam apenas ser vividas.
Talvez eu ainda esteja descobrindo quem sou nessa nova versão de mim.
E, pela primeira vez, isso não me assusta.
Isso me traz paz.
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