De Coração, Essas Palavras São PRA TI (mesmo que nunca cheguem até ti)
Domingo, dia 30 de agosto, 2 horas e 38 minutos da madrugada.
Cheguei em casa há pouco mais de vinte minutos, depois de uma noite trabalhando em um evento. O corpo está cansado, mas a cabeça parece não saber o que é descanso. Durante toda a noite, entre uma coisa e outra, entre pessoas, conversas, lugares e momentos, uma única certeza insistia em voltar: não importa onde eu esteja, quem eu veja ou com quem eu esteja, no fim, é sempre você que aparece nos meus pensamentos.
É estranho. Já se passaram mais de seis meses desde que nós deixamos de estar juntos, mas parece que, quanto mais o tempo passa, mais presente você fica. Eu continuo te enxergando em todos os lugares, em todas as atividades, em todos os pequenos detalhes da minha rotina. Eu me pego imaginando você ao meu lado, fazendo comigo coisas simples, vivendo momentos que nem sequer aconteceram. É como se uma parte da minha vida tivesse continuado normalmente, enquanto outra ficou parada naquele tempo em que nós ainda éramos nós.
E agora eu estou aqui, deitado, chorando enquanto escrevo. Talvez porque escrever seja a única maneira que encontrei de dizer tudo aquilo que um dia eu não soube falar. Eu queria muito que a nossa história tivesse tomado outro rumo. Queria que hoje, em vez de estar escrevendo sobre saudade, eu estivesse escrevendo sobre nós. Queria que ainda estivéssemos juntos, dividindo planos, dias comuns, finais de semana, pequenas coisas que naquela época talvez eu nem soubesse valorizar.
Mas eu também sei que, se tudo o que aconteceu não tivesse acontecido, talvez eu não fosse quem sou hoje. A dor me ensinou. A perda me fez crescer. Eu amadureci, aprendi a olhar para dentro e reconhecer coisas que antes eu não conseguia enxergar. Por um lado, foi bom. Por outro, foi péssimo. Porque, no meio de todo esse crescimento, eu perdi aquela que, hoje, consigo admitir sem medo: foi a única pessoa que eu amei de verdade.
Mesmo sem saber demonstrar, o sentimento era real.
Hoje eu consigo enxergar os meus erros com uma clareza que naquela época eu não tinha. Consigo reconhecer minhas falhas, minhas atitudes, os momentos em que fui moleque quando deveria ter sido homem. Eu não tinha maturidade para viver um relacionamento do tamanho que você merecia. Errei muito. Talvez mais do que consigo colocar em palavras. E talvez uma das partes mais dolorosas de amadurecer seja justamente perceber que algumas pessoas pagaram o preço da nossa imaturidade.
Durante boa parte desse tempo em que estamos separados, eu me acostumei a olhar para a porta e lembrar do Veigar. Toda quarta-feira à noite e nos finais de semana, eu o via esperando. Eu sabia que você não vinha, mas ele não sabia. E, no fundo, acho que eu também continuava esperando que, de alguma maneira, você aparecesse.
Infelizmente, ele também se foi.
Coitadinho. Agora está descansando em paz. Mas existe algo que ainda aperta meu peito: até os últimos dias de vida, ele continuou te esperando. E talvez seja por isso que essa lembrança doa tanto. Porque enquanto ele esperava por você sem entender que você não viria, eu também continuava esperando, mesmo sabendo que talvez você nunca mais voltasse.
E eu ainda espero.
Não sei se os nossos caminhos vão se cruzar novamente. Não sei se a vida vai nos colocar outra vez no mesmo lugar. Eu torço para que sim. Mas, se acontecer, eu não queria que fosse apenas uma cruzada de olhos, como naquele sábado no mercado da Cotripal. Eu queria que fosse pelo menos um encontro de verdade. Um encontro que tivesse algum significado.
Naquele dia, talvez você nem tenha percebido.
Eu continuei andando, agindo normalmente, como se não tivesse te visto. Mas existe uma coisa que eu jamais conseguiria esconder: o brilho nos meus olhos ao te ver. Eu juro que tentei disfarçar, mas existem sentimentos que o corpo entrega antes mesmo que a boca tenha coragem de confessar.
Eu tento ser forte todos os dias. Tento agir normalmente. Tento seguir em frente. Estou entrando em uma nova fase, vendo as coisas acontecerem no ritmo em que precisam acontecer. A vida continuou. Eu continuei. Eu vivo sem você.
Mas uma parte de mim ainda está pregada no passado.
Está perdida na lembrança do teu sorriso, daquele olhar que ainda consegue me deixar apaixonado só de imaginar, daquele cabelo cor de ouro, dos detalhes que o tempo não conseguiu apagar. E, sinceramente, às vezes eu paro e penso: olha só onde eu fui parar.
O cara que um dia não conseguia se justificar em uma simples conversa hoje coloca todos os sentimentos no papel.
Talvez porque aqui eu consiga dizer aquilo que, olhando nos teus olhos, eu nunca consegui.
Eu queria entender por que, mesmo depois de tanto tempo, esse apego ainda existe. Porque eu não posso dizer que é dependência emocional. Minha vida seguiu. Eu saí, trabalhei, estudei, vivi, conheci pessoas, fiz planos. Eu aprendi a existir sem você.
Mas existe alguma coisa dentro de mim que insiste em dizer que tudo o que vivi até agora teria sido completamente diferente — e talvez muito melhor — se você estivesse ao meu lado.
E essa é uma das coisas que mais doem.
Porque eu olho para trás e vejo aquele moleque se perdendo.
E aquele moleque era eu.
Tem uma música do Luan Santana que eu tenho escutado todos os dias. Ainda nem consigo explicar direito o que ela causa em mim. Ela me derruba ao mesmo tempo em que parece me colocar de pé. Talvez porque algumas músicas tenham o poder de dizer aquilo que a gente não consegue. Elas encontram lugares dentro da gente que nem sabíamos que existiam.
Hoje eu percebo que a saudade foi a única companhia que me restou.
Ela está comigo quando eu acordo. Caminha comigo durante o dia. Senta ao meu lado quando estou sozinho. Deita comigo quando chega a noite. E, quando finalmente consigo dormir, ela aparece até nos meus sonhos.
Nunca imaginei que alguém pudesse estar tão longe e, ainda assim, tão presente.
Eu não te vejo. Não falo contigo. Não tenho notícias tuas. Você não faz mais parte da minha rotina, mas, de alguma forma, continua fazendo parte de todos os meus dias. Está nos meus pensamentos, nos meus sonhos, nos meus planos e até nas coisas que eu ainda nem vivi.
E sabe o que é mais engraçado?
Alguma coisa dentro de mim diz que talvez eu nunca mais te veja.
Mas, ao mesmo tempo, quando tento imaginar o futuro sem colocar você nele, eu simplesmente não consigo enxergar sentido.
Eu não consigo montar um plano para o futuro sem imaginar você em algum canto dele. Não porque eu não consiga viver sem você, mas porque, na minha cabeça, tudo parece ter mais graça quando você está lá.
Às vezes eu penso em fazer alguma coisa e imediatamente imagino como seria se você estivesse comigo. E quando percebo que não está, alguma coisa perde a graça. Falta vontade. Falta aquele sentimento de que aquilo poderia ser ainda melhor se eu pudesse compartilhar contigo.
E até dormir se tornou uma espécie de encontro.
Porque, quando você aparece nos meus sonhos, eu consigo ter novamente aquilo que a realidade me tirou. Consigo olhar para você, perceber cada detalhe do teu rosto, ouvir tua voz, sentir tua presença. Por algumas horas, parece que o tempo volta.
E talvez seja por isso que, em alguns momentos, dormir seja o melhor momento do meu dia.
Porque nos sonhos você ainda está comigo.
Já se passaram mais de seis meses, mas eu ainda guardo a imagem do teu rosto como se tivesse sido ontem. Lembro de detalhes que talvez você nem imagine que eu tenha guardado. Lembro do teu sorriso, do teu olhar, do teu jeito. Lembro de nós.
E talvez esse seja o meu maior conflito: eu sei que preciso continuar vivendo, mas ainda existe uma parte de mim que gostaria de voltar.
Não necessariamente para mudar tudo.
Talvez apenas para fazer diferente.
Para ser mais maduro. Para amar melhor. Para demonstrar mais. Para não deixar passar momentos que hoje dariam tudo para viver novamente.
Eu não sei o que a vida reservou para nós. Não sei se um dia nossos caminhos vão se encontrar de novo. Não sei se você ainda pensa em mim, se algum dia sente saudade ou se simplesmente seguiu em frente.
Mas eu sei o que existe aqui dentro.
E hoje, nessa madrugada de domingo, enquanto a cidade dorme e eu continuo acordado, chorando sobre palavras que talvez nunca cheguem até você, eu só consigo admitir uma coisa:
eu segui em frente, mas nunca consegui deixar você completamente para trás.
Talvez o tempo ainda me ensine a fazer isso.
Talvez um dia a saudade deixe de doer.
Talvez um dia eu consiga olhar para tudo isso apenas como uma lembrança bonita de alguém que passou pela minha vida.
Mas hoje ainda não.
Hoje eu ainda sinto.
Hoje eu ainda lembro.
Hoje eu ainda sonho.
Hoje eu ainda espero.
E, mesmo depois de mais de seis meses, no meio de tantas pessoas, tantos lugares e tantos caminhos, quando a noite termina e eu fico sozinho com os meus pensamentos, ainda é você quem eu procuro.
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