Adeus, Veigar
Hoje faz uma semana que você se foi para sempre. Sete dias que a casa parece diferente, que o silêncio ficou maior e que, em alguns momentos, ainda espero ouvir os sons que você fazia pela casa, como se a qualquer instante você fosse aparecer novamente.
Ainda é estranho chegar do trabalho e não encontrar você miando ao meu redor. Durante mais de dois anos e meio, você esteve ali. Fazendo companhia, ocupando os espaços, transformando momentos simples em lembranças que agora parecem enormes. Você não era apenas um gato. Você era meu companheiro, meu melhor amigo e uma parte da minha vida.
Talvez o que mais doa seja a sensação de que eu poderia ter feito mais. Às vezes, me pego pensando que fui incapaz de lutar o suficiente para manter você aqui. Fico imaginando se existia alguma coisa que eu poderia ter feito diferente, alguma escolha que pudesse ter mudado o final da nossa história. E talvez essa seja uma das partes mais difíceis de uma despedida: precisar aceitar que, por mais que exista amor, nem sempre podemos impedir que alguém que amamos vá embora.
Eu queria ter tido mais tempo.
Mais manhãs, mais noites, mais momentos simples. Queria continuar chegando em casa e encontrando você. Queria ouvir seus miados, suas pequenas manias, seus passos pela casa. Queria que os próximos anos fossem tão cheios da sua presença quanto foram esses dois anos e meio.
Depois de tanta luta, você finalmente descansou.
E, mesmo com toda a dor que ficou aqui, tento acreditar que agora você está em um lugar melhor. Um lugar onde não existe sofrimento, onde seu corpo não sente mais dor e onde você pode correr, brincar e ser aquele Veigar que eu conheci e amei.
Talvez você nunca tenha entendido o tamanho do amor que eu sentia por você. Talvez para você eu fosse apenas aquele humano que abria a porta, colocava sua comida e fazia carinho. Mas, para mim, você era muito mais do que isso.
Você era presença.
Era companhia.
Era conforto nos dias difíceis.
Era alguém esperando por mim quando eu voltava para casa.
E agora, olhando para os lugares onde você costumava estar, percebo o quanto uma vida tão pequena pode deixar um vazio tão grande.
Uma semana se passou, mas ainda parece que foi ontem. Ainda dói. Talvez continue doendo por algum tempo. Mas, junto com a saudade, quero guardar tudo aquilo que você me deu: os momentos, as brincadeiras, os miados, as manias e, principalmente, o privilégio de ter dividido uma parte da minha vida com você.
Obrigado por ter sido meu companheiro durante esses dois anos e meio. Obrigado por ter estado comigo. Obrigado por ter sido meu melhor amigo.
Eu sinto muito por não ter conseguido te manter aqui.
Mas espero que, onde quer que você esteja, saiba que foi amado até o último instante.
Descanse, meu pequeno.
A casa nunca mais será a mesma sem você.
Adeus, Veigar.
E obrigado por tudo.
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