1h23

Madrugada de 26 de julho.
O relógio marca 1h23.
A cidade dorme,
mas dentro de mim
o silêncio faz barulho.

É véspera do teu aniversário.

Abro o notebook
com os olhos inundados,
como quem procura nas palavras
um abrigo
que já não existe.

As mãos hesitam.
O coração não.

As lágrimas caem
com a inocência de uma criança
que ainda acredita
que chorar pode trazer alguém de volta.

Eu só queria dormir.

Mas a saudade conhece o caminho
até o meu peito.

Ela chegou sem bater,
espalhando lembranças
pelos cantos da madrugada,
até que tudo em mim
desabou.

Hoje já não tenho
um lugar seguro para correr
quando o mundo pesa demais.

Já não encontro
aqueles olhos
que enxergavam minha alma
antes mesmo das minhas palavras.

Já não encontro
o teu sorriso,
capaz de devolver cor
aos dias mais cinzentos.

Nem teus cabelos,
cor de ouro,
que pareciam guardar
a luz do sol.

Tudo virou memória.

Memória de um tempo
que jamais voltará.

Memória de um amor
que foi tão bonito
que nem a distância conseguiu matar.

Porque há sentimentos
que não acabam.

Apenas aprendem
a florescer em silêncio.

E o meu amor por ti
continua vivo.

Floresce nas madrugadas,
nas músicas que evitam tocar,
nos lugares que ainda esperam tua volta,
e em cada aniversário teu
que o calendário insiste em lembrar.

Você foi a melhor pessoa
que a vida colocou no meu caminho.

O sentimento mais verdadeiro
que meu coração já conheceu.

E talvez seja esse
o peso da saudade:

continuar amando alguém
que agora só pode ser encontrado
nas lembranças.

Se o tempo levou tua presença,
não levou tua essência.

Ela permanece aqui,
entre versos,
lágrimas
e silêncios.

Porque existem pessoas
que vão embora do nosso lado,
mas nunca do nosso coração.

E existem amores
que o destino encerra,
mas a alma se recusa
a esquecer.

Nesta madrugada,
na véspera do teu aniversário,
não te escrevo esperando resposta.

Escrevo porque,
às vezes,
amar é a única forma
que o coração encontra
de continuar respirando.

E, mesmo que o universo
jamais permita
que estas palavras alcancem teus olhos,

há uma única verdade
que resiste ao tempo,
à distância
e à saudade.

Eu te amo, alemoa.

E acho...
que uma parte de mim
sempre vai te amar.

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